sábado, 16 de julho de 2011

NOSSOS TRÊS ANOS

Nossos Três Anos

Senti algo no peito nesta manhã de saudade
Saudade que me faz inspirar mais ar para dentro
E soltá-lo aos poucos para amainar meu quase sofrimento
Sinto que esses ares que inspiro e expiro são ares da verdade

Verdade que descompassa e cria tensões perigosas ao coração
Porque a mente perde quaisquer controles e faz pose de fatigada
Será que posso dizer que amo com a alma a menina por todos amada?
Será que posso iludir-me de que também sua alma me visita em minha solidão?

O poeta disse: “Eu era feliz e não sabia”
E eu digo que, ao olhar para você, Lulu
Quando você está a ensaiar os primeiros passos da bailarina
E a fazer poses e graças de toda feliz e sonhadora menina
Eu digo então que o verso do poeta nem passa por sua sombra

Digo, ainda, que tento lembrar-me se aos três anos
Eu também era assim feliz assim como você se faz cativar
 E também o Caito a empinar pipa no aprendizado da baianidade
Acontecimento que jamais pude imaginar em meus melhores sonhos
 O que só faz aumentar ainda mais a minha doída e voraz saudade

E assim vou criando tentativas para chegar aos meus três anos
Determinado a decifrar e avaliar a minha quota de felicidade
Mas não encontro nas lembranças daqueles tempos pistas
Que digam minimamente se eu era por lá um portador de alegria

Porém, contudo, todavia ao olhar para as suas imagens, Lulu
Imagens que recebo com a avidez de alguém que devora a ambrosia
Pela primeira vez, fico a vibrar com as fibras do meu coração
É muita emoção advinda da insondável e incontrolável paixão

Que gingas e caras são essas, Lulu?
Com isso você me faz pensar sem hesitar
De que na verdade mais verdadeira
 Você na minha a sua cara se insinua e sabe muito bem o que me diz:
Você, vovô, lá nos seus três anos, não duvide,
Você, vovô Barba, também era assim muito feliz.



Um comentário: