Café da manhã 1
Ainda no embalo de um sonho amoroso
No torpor de algo agradável e no mistério
Do desejo gerado nesse amanhecer distinto
De cutucar e coçar a vontade para a continuidade
Vontade de prosseguir no mesmo sonho
Ao se procurar cochilar-dormir de novo
Vontade de recuperar as delícias maliciosas
Que ainda se escondem dentro do nosso eu em gozo
Nossos eus dos sonhos porque somos lá dentro
Duas vontades que se dão bem e se querem...
Embora a geradora dessa onda seja apenas o meu querer
Que se revelara naquela noite que acabara de ir embora
Esse sonho bem sei que não se completa ao ponto de se esgotar
Deixa ele a vontade de nas próximas noites sonhar igual
Deixa ele a lembrança de que ainda podemos viver tal e qual
Na mínima esperança de um novo e muito criativo sonho
Desse porte nos alimentar com a simplicidade de um gozo.
Deixa ele
Café da manhã 2
Há uma hora para se dar no pé
Hora em que já se esgotaram
Paciência, lucidez, abalos na fé
É a hora dos que se evaporaram
Como que por milagre das vistas
De todos os que se diziam parentes
E amigos ou colegas chegados
Evaporar assim é das maluquices
A mais radical mudança de vida
A saída de cena da mesmice
Das rotinas sufocantes
Das mágoas dos desafetos
Quem sabe no futuro os amores
Venham a se comportar determinados
Por uma etiqueta como essas em códigos de barra
Para se levar para casa como mercadorias quaisquer.
Café da Manhã 3
Amanhã bem de manhã
Aos primeiros raios
Aos primeiros cantares
Aos primeiros aromas
Amanhã bem de manhã a vida
Aos primeiros raios vívidos do dia
Aos primeiros cantares dos nossos canários
Aos primeiros aromas do café, do leite, do lençol ao sol
Amanhã bem de manhã a vida ensolarada
Aos primeiros raios vívidos do dia a você consagrados, amor
Aos primeiros cantares dos nossos canários em seus espetáculos
Aos primeiros aromas de café, do leite, do lençol ao sol na janela
Amanhã na janela
Raios e canários consagrados
Cantares vívidos na manhã desdobrados
Aromas na manhã com a vida ensolarada
Não é muito mel de se lambuzar, amiga?