Como que com isso quisesse punir a sua inventividade
Ao cultivar seus terríveis remorsos por dantes haver dito
Que “céus não existem, não existe inferno/ o prêmio
Da virtude é a própria virtude/ o castigo do vício o próprio vício/
Nesse duelo das suas antigas com as novas convicções
Misturadas as verdades com as mentiras
Fica a escrita no papel que não deixa de divergir
Com os complicados novos e religiosos pensamentos do poeta
Não lemos o mesmo poema da mesma forma
Todas as vezes que por ele passamos
Não colhemos os mesmos grãos do ano anterior
Afirmam os que semeiam a terra, imaginem os espíritos!
Quero preferir os versos que o poeta mandou rasgar
Convicto que estava da sua conversão cheia de mutretas
Não vou acompanhar esse diabo arrependido nesse chiar
Que carrega em sua nova sombra rabos e chifres em setas.
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