Dose dupla
Hoje quero beber só duas cervejas geladas, não mais
Não tão estupidamente geladas, mas na medida
Quero degustar aquela “cosquinha” na passagem
Pela garganta da cevada, do malte e do álcool
Tudo na maior moderação que nos ensinam os bons pais
Depois, hoje ainda, quero sair com duas mulheres
Não duas mulheres quaisquer de fácil acesso e improviso
Aos seus segredos de musas em seus altares
Quero antes promover processo judicial-espiritual-intelectual
De investigação de saúde de mulher boa integral
Boa nos contornos expostos ao mundo e boa
Nas tiradas de bom humor de quem sabe aturar
O devaneio divinal e principesco que os notívagos almejam alcançar
Quero arrematar o meu hoje que começou no ontem
Antes dos dois sóis acordarem e as duas luas dormirem
Eles e elas que se refletem aos meus dois olhos nos dois
Chafarizes das duas praças conjugadas cortadas por uma rua
De mão dupla pelos caminhantes sempre com mais de duas dúvidas
Quero me mandar do morno leito alheio antes dos dois maridos
Chegarem das casas das duas mulheres que os acolheram mornas
Em seus precários desejos no mais das vezes insatisfeitos
Nessa noite que começou num dia e terminou noutro dia, pois, pois
Depois, quase convencido, vou beber em dois copos a água que batizará
Meu justo sono
E que dará o devido descanso a este guerreiro que há - um dia
quem sabe - de valer por dois nas suas duplas jornadas
Sempre a se embriagar de duas divindades e suas criações:
cerveja e mulher (com suas consequentes bebedeiras)
Enquanto a invejosa da poesia sempre à nossa vida dupla
Sempre ficará no seu canto a nos espreitar com duplas intenções
por vezes nobres
no mais das vezes rasteiras.
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