Coisa de Bêbado
Como pode alguém dizer que está perigando no vazio
Que está a ver navio sumir no horizonte e não quer por marra
Ver que lá daquela linha outros navegantes estão a vir
Para contar suas sensações e folias pelos mares seus amares
Vou lubrificar um pouco as engrenagens musculares desses tediosos
Meus amigos melancólicos que sempre estão de dia seguinte
A reclamar dos efeitos dos excessos alcoólicos e tira-gostos saborosos
Consumidos com voracidade e ganância de faminto pedinte
Há algo mais nesses encontros de bares em bares
Algo que pode beirar o sagrado de tão inebriante o profano
Ou é apenas mesmo coisa de bêbado que idolatra a embriagues
Que se encontra na roda da vida desolado de não se ter mais dó?
Será que o remédio para se curar e não remediar
Tanto tédio que não cansa de entediar de tanto se repetir
Não seria ir buscar no além mar de toda boba angústia por vir
O nadador adormecido que se esqueceu do gozo inenarrável
De se nadar soberano nas possíveis águas de um novo despertar?
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