quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mergulhos I

     Os planos do planeta provam provações
     As cataratas destroçam lágrimas e desejos
     Há um antes e um depois diante do óbvio
     Aqui e agora e mesmo assim ficamos meio alheios,
     Quase caramelados

     Não respiramos por acaso?
     Não desejamos sem saber algo a todo instante?
     Não esquecemos de colher algumas flores para nossos vasos?
     Não deixamos de enfeitar com luzes o escuro de nós mesmos?

     A esperança não é propriedade de alguém que a define
     Pelas vias de um sofrer que se quer eternizado
     Somos vencedores de alguma coisa no tempo e no espaço
     Por isso muitos de nós não se bastam e rolam no insondável
    
     A procurar atrás das portas e nas frestas das venezianas antigas
     Uma passagem de ar que desoriente o nosso olfato
     E retire de nós as nossas impropriedades mais grosseiras
     E assim procure colaborar para que possamos numa lógica esperança,
     Mínima esperança de aconchego mergulhar no auge da nossa sede.         

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