Espelho
Para não ficar louco
É preciso sonhar que se está sonhando
Ao acordar levantar o corpo para abrir
A janela próxima e respirar a luz
Para não enlouquecer
É preciso lavar o rosto
E enxugar a imagem no espelho
E deixar o suor do verão na face de carne
Para não pirar
De vez é preciso que a marca do corpo
Deixada no lençol da cama seja removida
Chacoalhando o fino pano no ar de fora do quarto
Mas para que a loucura não se instale de vez
No ser que parece ainda duvidar da existência
É preciso que o primeiro som da nossa voz sem medo
Diga em tom bom que o louco ficou aprisionado
De cara limpa no espelho e ali ostenta esse segredo
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