segunda-feira, 16 de maio de 2011

ÁGUA DE BEBER

Água de Beber
Fiquei apurando e fincando os meus ouvidos
Na voz que vinha da janela ao lado da mangueira
Em que eu trepado me dependurava a chupar guloso a manga
Que imaginário é esse que salta do alto daquela árvore para o chão da
Minha lombrigal infância que hoje poderia indignar muitas
Das crianças que sobrevivem nos enlatados dos apartamentos
Cercadas de asfalto e flores artificiais em jardineiras
De ferro e cimento?
Ouvi lá do alto daquele verdejante das folhas
A voz da professora que dizia:
Que há uma outra lógica!
Que há uma outra forma de pensamento!
Que lá onde eu sou eu não posso me entender ou pensar!
Que para me aproximar assim de nem relar das obscuridades
E suas fantasmagóricas obscenidades  
Devemos entrar em guerra contra nós mesmos!
E isso só para vislumbrar o abismo a ser explorado!
Não tenho mesmo que me sentir um coitado?!
Um desse seres que desgraçadamente querem de verdade
Que o mundo pare para eles descerem de uma vez no nada?
Que desejos são esses que tanto se deseja ter
E que parece aos vivos em suas lidas manter
E que uma vez possuídos se tornam água salobra
Inadequada para beber?
  

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