Avó Destrambelhada III (“...Finge tão completamente, que chega a fingir
Da Banda de Lá que é dor, a dor que deveras sente”. FP)
Não sei se mereço tanta assim mísera desconsideração
Não acho que desmereço tanto assim de qualquer considerar
Meus planos são tão comuns que chego muito lúcida a plagiar
Qualquer inspiração desses poetinhas de fim de semana de plantão
Acho ainda que tudo na vida tem o poder de me incriminar
Meus amores do meu rijo e calejado coração
Não que não sinta saudade das pessoas de quem gosto, não
Sinto o suficiente para me encher de orgulho e isso me basta
Não sou de ficar a lamentar o leite que se derramou pelo fogão
Muito menos aplaudir pelo pão que caiu com a manteiga virada para cima
Já fui boba de ficar sem comer ou dormir por amar demais
Agora que não vou de novo me castigar por amar até de menos de hora em hora
Aprendi a me defender com muitas das armas das astúcias dos outros
E astuciosa agora tenho a coragem da audácia mais contundente para aqui dar
Um termo nesse finalmente, assim de mais confundir do que esclarecer
Digo que não sou assim nem assada
Só porque alguns me chamam de dissimulada
Pode quem quiser ficar a olhar nesta noite por todo esse céu azul
De lua cheia que chega a ser até indecente e se quiserem obsceno
Com certeza ninguém por aqui ou por lá encontrará o meu nome no estrelato
Talvez algum abelhudo encontre como me chamo numa estrela cadente que viaja
Para o infinito na velocidade da luz de lá pra cá pra lá por todo o firmamento
Talvez essa luz seja de um astro que nem exista mais, só o que dele reluz
E tenha o mesmo registro meu: ser daqui, dali e de lá; ser de fingimento
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