terça-feira, 31 de maio de 2011

MERGULHO VIII

Em tudo há um fundo falso e frágil
Percepções são pinceladas rápidas
Num painel feito no imaginário de ar
As cores se dão nós e despencam em pó

Em socorro dos que têm medo do escuro
Que encobre idéias e sugere aventuras poucas
Temos pensamentos que brilham escondidos
Entre as páginas dos bons livros esquecidos

Por detrás de outros livros de capas duras
Para somente enfeite e deleite de quem não os lê
Sequer se sabe se existe mesmo algo ali escrito
Uma aventura digna desse nome ou apenas

O enigma que decifrado salvaria o dia, talvez o mês
Por que não o ano do leitor que pensa em se matar
No próximo minuto e já carrega o tambor da arma
Com balas que poderiam ser - pela leitura que não fez-
Balas de artificial morango, que sejam sabores naturais...
Balas de goma ou caramelo com chocolate
Balas que não vão lhe furar e dar fim a um mínimo
De inteligência, mesmo esta indigna e indigente
Mas inteligência presente na vida que sabe existir sempre
Uma última esperança, uma fé verdadeira,
Um cafezinho com pão e manteiga de uma caridade
Talvez por derradeiro – para se continuar a viver –
A lembrança, a memória, a recordação de um único
Ato de amor que ressurja do esquecimento e se faça
Presente como o mais puro aconchego.

Nenhum comentário:

Postar um comentário