Bambolê
Dança em qualquer lugar
Dança no ventre
Dança do ventre
Dança na velhice para zombar
Da morte próxima que dança rondando
Zombando
Dança a dança clássica e continua a respirar com leveza e graça
Como pode dançar a capoeira sem largar a copo cheio de cachaça
Dançam as crianças no chão de terra e nos sonhos de algodão doce
Dançam as aves nos céus em louvor aos seus amores e os meus
Dançam e descem dançando aos infernos os sem qualquer esperança
Eles não tinham o que deixar nem no portal dos capetas
E dançam os dinamitados nas pedreiras por falha nas espoletas
Dançam o miudinho os que se aventuram sem serem comedidos
Dançam mais ainda os que se diziam amados por todos os lados
Dançam porque dia serão pela traição e dos sonhos acordados
Dançam porque o que era para ser algo próximo da felicidade
Não se consumou porque não estava à venda nas lojas neste mês
Dançamos porque a única verdadeira liquidação de que não sabemos
Está anunciada num lugar inacessível da nossa alma que dançou de vez
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