domingo, 15 de maio de 2011

IMAGEM

Imagem
O que faço com essa sua imagem envolta em ternura
Que me surge ao amanhecer e me dá água na boca
Ao ver seus olhos enormes diante dos meus em passione
É só por causa desse passado tão distante que estava escondido no perdido?
O que faço com essa sua imagem que me aparece
Como uma fantasia bem-vinda ao entardecer
E que ao se aproximar demais de mim que me arrepia todo
Ao sentir a tua boca carnuda a desrespeitar qualquer pudor?
O que faço com essa sua imagem que já na noite de sábado
Quer agora pecar sem pensar como antigamente na confissão
E o conseqüente comungar logo no domingo de manhã
Para com isso apenas tirar a culpa dos excitantes desejos
Dos calorosos pensamentos da véspera?
O que faço com essa sua imagem que persiste e insiste
Em ser de uma falsa languidez que tornam imbecis minhas quaisquer convicções?
Responda o que faço com essa sua imagem de corpo inteiro pelo meu dia
Que em todos os segundos em que ela marca sua presença aciona safada
 As batidas do meu coração como cúmplice de um prazer tão secreto e que por vezes assim tão indiscreto que não se dá a isso sequer um nome:
Na caverna da covardia essa imagem que me avassala a vejo sempre
De profissional prontidão, de fria tocaia.

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