terça-feira, 17 de maio de 2011

SER SONHADO

Ser sonhado


Nas veias senti o borbulhar da mais doída saudade
Foi assim como acordar de um sonho dentro de um sonho
E algo a avisar o tempo todo que estava ainda a sonhar
Cada mínima parte do corpo se descabelava em incontrolada emoção

Cortinas se abriram ao ar livre e um teatro surgiu esplendoroso
E sons de flautas ecoaram no mesmo momento em que os atores
Com máscaras dramáticas assumiam posições pelo espaço cênico
Para então das suas marcações anunciarem as intenções da representação

O que se veria seria o trágico/cômico da vida de cada espectador
A síntese anunciada com tanta pompa era para que cada ser
Que ali estivesse presente se sentisse como parte visceral da peça
E aceitasse as dezenas de maluquices que os artistas encenariam

Nas veias senti o deslizar de um sedativo que amenizava a saudade
Que não mais doía, mas fazia cócegas de fazer tremer o corpo todo
A partir de então eu falava as falas dos demais atores que agora
Eram apenas máscaras a contemplarem indiferentes
O meu desempenho trágico/cômico. 

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