Desprovidos até dos cuidados óbvios diante do acaso
Há no despertar de uma paixão
Uma lágrima guardada como última lágrima
De mais uma desilusão
Que importa?
Se os amantes se eternizaram no vivido.
Flores murchas na lixeira
Juntamente com o velho e todo quebrado
Vaso descartado de frágil vidro
Que importa?
Hidros 2
A ressaca exige muitas hidrovias
Em nossos interiores ressequidos
Abundância de água pelos canais
Água mineral, torneiral ou chuveiral
Fogo de encontro é o caminho
Mais curto para as asneiras etílicas
Para o envio da consciência culpada
À masmorra aonde se juntam as solidões
Ali não há velhacos ou ambiciosos
Todos estão nivelados pela régua
Invisível de um sofrimento inenarrável
Cuja aparência não pode se desenhada
Se ali habita a loucura que a todos abastece
Não deixa de ser ali o momento da limpeza
Mais eficaz dos detritos que homens carregam
É ali que a alma busca a sua mínima grandeza.
Café da manhã 1
Ainda no embalo de um sonho amoroso
No torpor de algo agradável e no mistério
Do desejo gerado nesse amanhecer distinto
De cutucar e coçar a vontade para a continuidade
Vontade de prosseguir no mesmo sonho
Ao se procurar cochilar-dormir de novo
Vontade de recuperar as delícias maliciosas
Que ainda se escondem dentro do nosso eu em gozo
Nossos eus dos sonhos porque somos lá dentro
Duas vontades que se dão bem e se querem...
Embora a geradora dessa onda seja apenas o meu querer
Que se revelara naquela noite que acabara de ir embora
Esse sonho bem sei que não se completa ao ponto de se esgotar
Deixa ele a vontade de nas próximas noites sonhar igual
Deixa ele a lembrança de que ainda podemos viver tal e qual
Na mínima esperança de um novo e muito criativo sonho
Desse porte nos alimentar com a simplicidade de um gozo.
Deixa esse sonhar vir e fluir os seus enganos que a mim me fazem
Generosamente o favor de pela vida me nutrirem
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