Quatro Olhos
Penso e me pego a concordar com o poeta
Que disse que erotismo deve ser como arte e paixão
E não como técnica de especialista pseudo-esteta
Que descreve as relações de afeto e amor como na ciência
Se descreve a combustão de qualquer motor
Ou se detém nas composições das especiarias e suas benesses
Gastronômicas que dão seda à pele e estimulam químicas medíveis
Nas horas das alquimias provocadas por dois corpos
Penso que os artefatos das guerras foram concebidos
Nas mesmas artimanhas daqueles que se dizem os entendidos
Das técnicas para o melhor desempenho para um gozar múltiplo
Quando sabemos que o cheiro estimula canções
O som da voz que arrepia os que se amam estimula o que estava
Quieto em sua natureza
Sabemos que os dois olhos dela que olham para os dois olhos dele
Provocam o que nem os deuses das guerras conseguem provocar
Uma revolução nos corpos que definitivamente após essa experiência
Eles já não são os mesmos
Os mesmos já não são eles
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