Transferência
Transfere pra cá
Transfere pra lá
Transfere-se o que se pensou ser o amor soberano e notável
Transfere-se para o prato cheio o afeto frustrado e descartável
Consola-se com o frutado cheiro da salada de frutas
As coisas se fazem de “trutas” em cada olhar atento
Transferem-se os intentos reais para os últimos sonhos
Sonhar matinal para domar o passado e encarar o presente
Das próximas horas em escolhas e decisões imprecisas
No topo da consciência é tão fino o fio da vida
Que as maiores empreitadas são comparadas com as já em ruínas
Não é bom dar-se conta das coisas sem um acolhedor fundo musical
Ruídos a arruinarem restos das nossas mais caras vontades
Muitas adormecidas no caprichado e artesanal ninho do próprio esquecimento
Mesmo assim insistimos nos planos que após rebocos exigem acabamentos
Artísticos que dêem harmonia e luz para consolo dos nossos olhares fatigados
Para no final tudo transferirmos para o caos indiferente da duvidosa simetria
De uma fugaz memória qualquer que repousa no berçario da melancolia
Nenhum comentário:
Postar um comentário