terça-feira, 26 de julho de 2011

Espírito e Sal

Espírito e Sal
Hoje assisti à aula que fala do poder da luz
Para a formação de uma substância que dá
Vida às plantas de todos os jardins do planeta
Não se esquecendo aqui das urtigas que ficam a coçar
Também nas nossas lembranças para o nosso todo sempre

Penso então na realidade da moral ou das morais
Somos tão rigorosos para com a avaliação dos outros
Nas duas mãos que conduzem a essa ambigüidade
E por outro lado somos condescendentes conosco mesmos
Tanto para o bem dos nossos espíritos
Quanto para o sal do corpo das nossas vidas

Vou não sei se mais perto ou longe daqui mesmo nesses
“Aquis e agoras” dos pensamentos que se embaralharam
Para poderem jogar com todas as regras do acaso da sorte
Saberes que gritam seu horror na noite mais silenciosa
E que por isso mesmo sugerem as nossas tensões mais maliciosas:
É de arrepiar cada pelo do nosso corpo o grito arfante do amor declarado:
Eu sou vida não sou morte  Eu sou viver não sou morrer
Eu sou a luz única da minha própria substância
Cheia de moral e ganância  

sábado, 16 de julho de 2011

NOSSOS TRÊS ANOS

Nossos Três Anos

Senti algo no peito nesta manhã de saudade
Saudade que me faz inspirar mais ar para dentro
E soltá-lo aos poucos para amainar meu quase sofrimento
Sinto que esses ares que inspiro e expiro são ares da verdade

Verdade que descompassa e cria tensões perigosas ao coração
Porque a mente perde quaisquer controles e faz pose de fatigada
Será que posso dizer que amo com a alma a menina por todos amada?
Será que posso iludir-me de que também sua alma me visita em minha solidão?

O poeta disse: “Eu era feliz e não sabia”
E eu digo que, ao olhar para você, Lulu
Quando você está a ensaiar os primeiros passos da bailarina
E a fazer poses e graças de toda feliz e sonhadora menina
Eu digo então que o verso do poeta nem passa por sua sombra

Digo, ainda, que tento lembrar-me se aos três anos
Eu também era assim feliz assim como você se faz cativar
 E também o Caito a empinar pipa no aprendizado da baianidade
Acontecimento que jamais pude imaginar em meus melhores sonhos
 O que só faz aumentar ainda mais a minha doída e voraz saudade

E assim vou criando tentativas para chegar aos meus três anos
Determinado a decifrar e avaliar a minha quota de felicidade
Mas não encontro nas lembranças daqueles tempos pistas
Que digam minimamente se eu era por lá um portador de alegria

Porém, contudo, todavia ao olhar para as suas imagens, Lulu
Imagens que recebo com a avidez de alguém que devora a ambrosia
Pela primeira vez, fico a vibrar com as fibras do meu coração
É muita emoção advinda da insondável e incontrolável paixão

Que gingas e caras são essas, Lulu?
Com isso você me faz pensar sem hesitar
De que na verdade mais verdadeira
 Você na minha a sua cara se insinua e sabe muito bem o que me diz:
Você, vovô, lá nos seus três anos, não duvide,
Você, vovô Barba, também era assim muito feliz.



sexta-feira, 8 de julho de 2011

TENTA TIRAR

Tenta Tirar
A gente tenta tirar de letra
De letra tentam tirar a gente
Da letra tiram a gente
E a gente tenta tirar de letra

Tenta até pentear careca
Namorar macaco de circo
Para fugir com o palhaço
Para rir depois com o mico

Tira de letra o cano do namorado
Tenta tirar também o pé da armadilha
A gente só volta pra gente todo engomado
Quando se livra de gente de quadrilha

A gente tenta tirar de letra com maestria de muita arte
Quando os apuros tentam que tentam nossa vida agora
 Nessa hora gente tenta ser mais do que se é gente/urgente
A gente tenta tirar de letra o que era pra se jogar fora

terça-feira, 5 de julho de 2011

COMANDOS

COMANDOS
Veio rogar
As melhores preces
Advogar
Em causa própria
Em sublimes pareceres

Evocou as ordens universais
Em suas múltiplas desordens
Falou do exagero dos comensais
Em detrimento dos desvalidos

Cada prece sua rogava tumultos
Tantas as coisas eram contrárias
Mulheres santas eram coisas de otárias
Mensageiros bons eram os portadores cultos

Que sabiam ocultar o saber acumulado
Contidos em abrir  demasiado
Com isso mantinham a tradição
Da parte comandar o todo.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Regado e o Regador VII

O Regado e o Regador VII
Por ordem do reiVamos também reinarPor ordem do reiVamos também casar
Por ordem do reiVamos nossas economias gastarPor ordem do reiVamos nos embriagar
Por ordem do reiVamos cantar e dançarPor ordem do reiVamos prevaricar
Por ordem do reiVamos esquecer todo malPor ordem do reiEle só é rei no carnaval

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domingo, 3 de julho de 2011

O REGADO E O REGADOR II

  
Foge
Mas foge de fugir feito burro louco
Potro picado de cobra
Assombrado a correr de assombração

Foge
Mas foge de fugir de namorado ciumento
De tiro e seu estampido
Foge de se esconder de bala perdida

Foge
Mas foge de fugir de amor fingido
Foge de falso gemido
Foge de botar tampão no ouvido

Foge para as tentações em seu banheiro
Foge dos que censuram a imaginação
Foge das tentações do mestre cozinheiro
Foge da sua própria inculta limitação
Foge do teto foge do chão
Prefira bons sonhos num ortopédico colchão

Nunca fuja das suas próprias promessas
Aquelas que você jamais cumpriu
São promessas apenas essas
Que você se prometeu e a si mesmo mentiu.

sábado, 2 de julho de 2011

O Regado e o Regador I

  O Regado e o Regador I

Alguma Coisa a Mais

Uma coisa é o velho enfiar minhoca ideológica
Na cabeça de um jovem e levá-lo a crimes
Que por conta daquele ideal será reconhecido
Sem nem precisar pensar em desculpas ou perdão

Outra coisa é o velho sentar em suas fatigadas
Nádegas encaroçadas igualmente ao cérebro
E dizer ao jovem que a maturidade leva à contemplação
E deixa o homem barrigudo, sedentário e com constantes
Problemas dentários, urinários e até mesmo comunitários

Cada um pode falar da sua juventude e sentir
Se foi ou não um ser domado pelos costumes
Se foi rebelde sem causa ou vestiu alguma calça e camisa
Dos hippies, dos comunistas ou dos capitalistas

Uma coisa é o velho contar as suas histórias da sua juventude
Outra coisa é o jovem olhar para o velho e não reconhecer nele o seu futuro
Na vida em vigília há algo a tramar contra os nossos desejos
Não são os sonhos sonhados que não visitam a nossa consciência?