Plácido Repouso
Quando num dia de aconchego em rede a balançar
Naquele entardecer em que se misturam gozo e nostalgia
Num vaivém que leva a sonhar com fama e glória
Em que só sonhar já está bom demais porque da glória e da fama
Todos que por ali as saboreiam reclamam da falta de privacidade
Por serem assediados em qualquer canto da cidade
Quem como eles não podem mais andar descalços
Pelos gramados dos parques numa manhã de outono
Quem como eles só se deslocam em peças de poderoso aço
Blindados que estão de balas de grosso calibre e dos olhares
De louca paixão dos admiradores que degustariam suas carnes cruas
A solidão de um busto em bronze numa praça na mais fria madrugada
É menor que a deles
Para se sentirem vingados dessas e outras geladas
Os consolos que a sociedade lhes oferece são: grana e fama
Que são as suas amáveis companheiras deitadas cada uma de um lado
De suas esparsas e encantadas infantis camas carregadas de sonhos amargurados.