quarta-feira, 14 de setembro de 2011

DUELO

Duelo
Assim pelas vias bifurcadas do meu ser sem as máscaras
Então agora despojadas por força de um ritual apenas interior
Sem mais finos saberes e apenas com a intensidade da luz de um vaga-lume
A matutar desafios escondidos nas escolhas sem reflexão
 Vejo-me a arbitrar um inusitado duelo por dentro de mim
De um lado lá estava todo paramentado de penas coloridas
O meu eu que nunca fora além de si mesmo contra o outro eu
Que sempre se julgou além do bem e do mal na maior cara-de-pau

Nesse duelo os conhecimentos e as emoções foram subjugados pelos desejos
Que a ambos debilitou a tal ponto de que eles a cada embate de tal forma
Se diluíam como esses vapores que observamos na solidão das frias manhãs
No bafo diário que não consegue disfarçar o próximo fim da jornada da vida 
Em que assim sozinhos somos visitados por fantasmas vindos dos passados
Mais remotos muitos deles que não vivemos, só herdamos por graça e desgraça
Da própria e imprópria existência camuflada sempre pelas imitações mais bizarras
Esse duelar não se resolve nunca e eu fico cada vez mais “cabrêro”
Por não conseguir me desentupir dessas competências que fingem libertar
Mas só escravizam porque se matam por matar diante do nosso delírio presente
que está ali a tatear, a escutar, a ver, a degustar e a cheirar a lembrança 
Das mulheres com quem convivemos na nossa tão pura e irreal juventude.  

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