sexta-feira, 3 de junho de 2011

NO BOSQUE

No Bosque
Tem gentes que tem muitas saudades e saboreiam disso
Tem gentes que tem só remorsos a encher as cabeças
Saudades boas ou más dão novas cores e novos fôlegos ao vivo
Enquanto os remorsos parecem que são mortes e suas sentenças

Há suspiros que inflam os nossos corpos deles até quase flutuarem
Outros, no entanto, de quando em quando parecem beliscões
Tudo o que infla se parece com a liberdade que almejam os balões
Aqueles outros nos ferem por fora e por dentro de torturarem

Fui um dia com essas parcas sabedorias buscar a opinião dos loucos
Que habitavam num bosque de eucaliptos que deliciavam esses lunáticos
Quem pode dizer qual a diferença entre as saudades e os remorsos
Que atacam as muitas gentes que vivem fora destes ares aromáticos

Aqui respondeu logo o primeiro que encontrei ali de ponta cabeça numa árvore
Aqui eu posso ficar assim muito tempo sem respirar e sem pensar
Sem pensar, argumentei, até deve ser ótimo para um doido de carteirinha
Mas, sem respirar isso pode até de todas as dores esse pobre coitado livrar

E é claro desta vida para sempre aos campos eternos muito em breve o levar
O homem, ainda de cabeça para baixo, assim a mim me respondeu:
O segredo de você não pensar é que nenhum falso amor vem te incomodar
O segredo de você não respirar é que quando você respira é tão bom como amar.     

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