quarta-feira, 9 de novembro de 2011

INÚTEIS TEMERIDADES

Inúteis Temeridades

Daqui a cem anos
Um descendente teu
Que nascer daqui a trinta anos
Terá setenta anos
E assim em apenas um século
Como se fora um volátil eco
Nossos dizeres de espanto
Não mais do que um a mais canto
Por aí se há de desfazer com ou sem pranto
Nossas lembranças serão tão nossas
Que hão de se esvaecer conosco
Como na mentira de que conosco
Ninguém podosco

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

HOJE EU NÃO SONHEI

Hoje eu não sonhei
Hoje eu não sonhei ou só não me lembro dos sonhos que sonhei
Dos sonhos de ontem eu não me lembro mais o que sonhei
E se amanhã eu também não me lembrar dos meus sonhos
Poderei me perguntar se ainda estarei vivo por inteiro
Antes de nascer vivíamos nos sonhos de alguém que sonhava a gente
Quando fizermos a viagem para morarmos na morada do sempre
Aqui deixaremos nos sonhos de alguém um resto da nossa imagem
Que não se corrompeu e se cristalizou em sonhos recorrentes
Talvez de um amor na adolescência que se fixou apenas na contemplação
Desses amores - sabe você se o vivenciou - que nos deixaram a levitar e
 Orbitar como se fossemos capturados por poderosas emanações
Provindas da essência das flores que cativam por seus odores irresistíveis
 Não nos basta apenas o desejo, a vontade de sonhar
É preciso sonhar nem que seja num cochilo mal sucedido
Que nos dá um baque brusco na cabeça como se ela fosse rolar
Decapitada pela lâmina invisível daquela que nos espreita a todo instante
Essa é a hora de se certificar de que a nossa cabeça está no seu devido lugar
E voltarmos no mesmo instante ao nosso ofício de sonhador
E de novo sonhar nem que seja só para lubrificar a lembrança
 De um amor que lá do seu tempo remoto veio envolto em afeto
A nos visitar careta com cara de doce solidão melada
E quando tudo se acabar com o crédito da eternidade
Iremos para o mesmo lugar destinado à demasia
Dos sonhos sonhados e aos sonhos em potência nunca sonhados.



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

MANOBRAS ETÍLICAS

MANOBRAS ETÍLICAS

As duas mulheres conversam em voz muito alta no banco da frente do ônibus em que estou a caminho de casa de volta de mais uma cervejada com os amigos de sempre. Uma delas diz que a Neusa deu para beber. A outra retruca perguntando irônica se na verdade a Neusa não bebeu para dar. A primeira, chamada pela segunda de Mirtis, resolve esclarecer a questão de “dar para beber” e “beber para dar”. E diz para a outra que se chama Doroti que no caso de “beber para dar” pode ser por vários motivos, dentre eles dois estão na cara: ou pode ser para criar coragem devido à timidez ou porque ela tem raiva da periquita e assim bebendo ela entrega a perseguida sem nenhum remorso momentâneo. Pode ser, concorda a Doroti. Agora, no caso de “dar para beber”, prossegue a Mirtis, pode ser que no caso como o da Neusa a pessoa começou assim de repente a beber e acabou por ficar viciada e agora sofre com as tristes conseqüências a que todo alcoólico é levado. Mas, também pode ser que “dar para beber”é quando a pessoa, não sei se é o caso da Neusa no momento, a pessoa dá para poder beber, assim como a outra pessoa que vai com ela paga a bebida, entendeu? Só que também pode já ser algo mais grave de tudo isso que é quando a pessoa dá e cobra para dar e depois gasta o dinheiro com bebida e até outras coisas que endrogam o espírito, sabe como é, né? Não, não sei, diz a Doroti. E a Mirtis lasca na cara da Doroti. Desempregadas, assim como nós. Precisam comer ou sustentar o vício, amiga. Agora entendi, diz a Doroti. Eu desci do ônibus e vi que lá na sua janela a Mirtis continuava a falar. Pensei  nas milhares de mulheres que como a Mirtes vivem o seu quotidiano numa barbárie miserável  e que, apesar disso, “criam e inventam o seu próprio universo moral”. Não é para se admirar?

Umbigadas

(Ah! quis?! E agora?!)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

DUELO

Duelo
Assim pelas vias bifurcadas do meu ser sem as máscaras
Então agora despojadas por força de um ritual apenas interior
Sem mais finos saberes e apenas com a intensidade da luz de um vaga-lume
A matutar desafios escondidos nas escolhas sem reflexão
 Vejo-me a arbitrar um inusitado duelo por dentro de mim
De um lado lá estava todo paramentado de penas coloridas
O meu eu que nunca fora além de si mesmo contra o outro eu
Que sempre se julgou além do bem e do mal na maior cara-de-pau

Nesse duelo os conhecimentos e as emoções foram subjugados pelos desejos
Que a ambos debilitou a tal ponto de que eles a cada embate de tal forma
Se diluíam como esses vapores que observamos na solidão das frias manhãs
No bafo diário que não consegue disfarçar o próximo fim da jornada da vida 
Em que assim sozinhos somos visitados por fantasmas vindos dos passados
Mais remotos muitos deles que não vivemos, só herdamos por graça e desgraça
Da própria e imprópria existência camuflada sempre pelas imitações mais bizarras
Esse duelar não se resolve nunca e eu fico cada vez mais “cabrêro”
Por não conseguir me desentupir dessas competências que fingem libertar
Mas só escravizam porque se matam por matar diante do nosso delírio presente
que está ali a tatear, a escutar, a ver, a degustar e a cheirar a lembrança 
Das mulheres com quem convivemos na nossa tão pura e irreal juventude.  

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O MANIFESTO E O LATENTE

O manifesto e o latente

Eu poderia chamar isto aqui de sonhos de uma noite
De primavera ou o acordar de quem sonhou acordado
Pensei que você me prometera manhãs radiosas
Com cheiro do perfume dos jambos e das rosas
Pensei que naquela noite em que nos despedimos
Num forte abraço que ali nosso futuro selávamos
Daquela vez fiquei a esperar acordado o amanhecer
Acho que porque era a minha primeira primavera
Diante das coisas novas do amor que estava a conhecer
Fiquei a pensar que você muito me quis e desprezei
Quem até então me quisera de amor ou mesmo paixão
Mas tudo só ficou por isso mesmo na onda do livre imaginário
De um único dia em que em mim baixou essa fantasia
E que ainda hoje debocha do meu ser de ser lá tão otário
Em acreditar naquele tempo que se podia pegar com as mãos
E levar ao coração o que um sonho sorrateiro e sublime com você
Paria


sábado, 27 de agosto de 2011

TRANSFERÊNCIAS

Transferência

Transfere pra cá
Transfere pra lá
Transfere-se o que se pensou ser o amor soberano e notável
Transfere-se para o prato cheio o afeto frustrado e descartável
Consola-se com o frutado cheiro da salada de frutas
As coisas se fazem de “trutas” em cada olhar atento
Transferem-se os intentos reais para os últimos sonhos
Sonhar matinal para domar o passado e encarar o presente
Das próximas horas em escolhas e decisões imprecisas
No topo da consciência é tão fino o fio da vida
Que as maiores empreitadas são comparadas com as já em ruínas
Não é bom dar-se conta das coisas sem um acolhedor fundo musical
Ruídos a arruinarem restos das nossas mais caras vontades
Muitas adormecidas no caprichado e artesanal ninho do próprio esquecimento
Mesmo assim insistimos nos planos que após rebocos exigem acabamentos
Artísticos que dêem harmonia e luz para consolo dos nossos olhares fatigados
Para no final tudo transferirmos para o caos indiferente da duvidosa simetria
De uma fugaz memória qualquer que repousa no berçario da melancolia

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PLÁCIDO REPOUSO

Plácido Repouso
Quando num dia de aconchego em rede a balançar
Naquele entardecer em que se misturam gozo e nostalgia
Num vaivém que leva a sonhar com fama e glória
Em que só sonhar já está bom demais porque da glória e da fama
Todos que por ali as saboreiam reclamam da falta de privacidade
Por serem assediados em qualquer canto da cidade
Quem como eles não podem mais andar descalços
Pelos gramados dos parques numa manhã de outono
Quem como eles só se deslocam em peças de poderoso aço
Blindados que estão de balas de grosso calibre e dos olhares
De louca paixão dos admiradores que degustariam suas carnes cruas
A solidão de um busto em bronze numa praça na mais fria madrugada
 É menor que a deles
Para se sentirem vingados dessas e outras geladas
 Os consolos que a sociedade lhes oferece são: grana e fama
Que são as suas amáveis companheiras deitadas cada uma de um lado
De suas esparsas e encantadas infantis camas carregadas de sonhos amargurados.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

SUCESSO

Sucesso
Londres e ladrões por onde escoam os nobres
Provectos ladrões na Londres por onde sonham os insensatos
Ladram os consuetudinários cães londrinos indiferentes a tanta insensatez
Nos guetos nas madrugadas dos desesperados se acumulam em fome e dor os avindos do mundo todo
Uivam os pecadores confessos desesperados no frio ou no calor
 No verão bretão que amanheceu hoje em fogo e fumaça
Venho recordar de Jean Charles de Menezes que também pensou em melhorar
 De vida na vida a ele prometida assim como a todos os esperançosos inquietos
 Em viva vontade de se tornar ele também um civilizado ser
Jean para isso precisava ter força de vontade e criatividade
E escolheu essa culta cidade como o local de duelar vida e trampo
E o que conseguiu ali foi só negociar seu corpo com algumas balas de um medroso despreparado
E assim, só deixar – o que não é pouco – o seu querer viver melhor fora do Brasil
Esse Brasil que é exportador das mais verdadeiras
Falsas esperanças
Jean poderia ter escolhido Londrina
Que é tão aqui mais perto
E correr outro tipo de risco menos incerto
Talvez o calote de algum 171 esperto
Um assalto de pivete munido de canivete
Um batedor de carteira ressuscitado de outros tempos
Nunca pensara Jean emigrar para fora do tempo
Tão pobre como este inócuo relato aqui perdido

quarta-feira, 27 de julho de 2011

ATORES

Atores

Ajudar o sujeito a ser ator de sua própria história
É isso que eu gostaria de hacer nestes dias em que espairecer
Ofende até a paisagem aonde alguém espairece
Sem dar amparo aos qüiproquós soltos na atmosfera
Cheia de fantasmas prontos a golpear sustos
De darem arrepios horripilantes de deixar cabelos em crina
A mente tão solta e volúvel de se levar nem a simples rumos
Sem sintonia nos assuntos e pés a caminharem em nuvens
E magias que detonam o sonhar em sonhos concretos
Donde despertam todos os medos infantis e suas ânsias
E conduzem ao pânico dos acordados em que a própria
Sombra assume o papel destinado aos fantasmas das fantasias
Enquanto isso me bate uma dúvida a mais trivial
Eu me ajudo a ser ator da minha própria história
Afinal?   

terça-feira, 26 de julho de 2011

Espírito e Sal

Espírito e Sal
Hoje assisti à aula que fala do poder da luz
Para a formação de uma substância que dá
Vida às plantas de todos os jardins do planeta
Não se esquecendo aqui das urtigas que ficam a coçar
Também nas nossas lembranças para o nosso todo sempre

Penso então na realidade da moral ou das morais
Somos tão rigorosos para com a avaliação dos outros
Nas duas mãos que conduzem a essa ambigüidade
E por outro lado somos condescendentes conosco mesmos
Tanto para o bem dos nossos espíritos
Quanto para o sal do corpo das nossas vidas

Vou não sei se mais perto ou longe daqui mesmo nesses
“Aquis e agoras” dos pensamentos que se embaralharam
Para poderem jogar com todas as regras do acaso da sorte
Saberes que gritam seu horror na noite mais silenciosa
E que por isso mesmo sugerem as nossas tensões mais maliciosas:
É de arrepiar cada pelo do nosso corpo o grito arfante do amor declarado:
Eu sou vida não sou morte  Eu sou viver não sou morrer
Eu sou a luz única da minha própria substância
Cheia de moral e ganância  

sábado, 16 de julho de 2011

NOSSOS TRÊS ANOS

Nossos Três Anos

Senti algo no peito nesta manhã de saudade
Saudade que me faz inspirar mais ar para dentro
E soltá-lo aos poucos para amainar meu quase sofrimento
Sinto que esses ares que inspiro e expiro são ares da verdade

Verdade que descompassa e cria tensões perigosas ao coração
Porque a mente perde quaisquer controles e faz pose de fatigada
Será que posso dizer que amo com a alma a menina por todos amada?
Será que posso iludir-me de que também sua alma me visita em minha solidão?

O poeta disse: “Eu era feliz e não sabia”
E eu digo que, ao olhar para você, Lulu
Quando você está a ensaiar os primeiros passos da bailarina
E a fazer poses e graças de toda feliz e sonhadora menina
Eu digo então que o verso do poeta nem passa por sua sombra

Digo, ainda, que tento lembrar-me se aos três anos
Eu também era assim feliz assim como você se faz cativar
 E também o Caito a empinar pipa no aprendizado da baianidade
Acontecimento que jamais pude imaginar em meus melhores sonhos
 O que só faz aumentar ainda mais a minha doída e voraz saudade

E assim vou criando tentativas para chegar aos meus três anos
Determinado a decifrar e avaliar a minha quota de felicidade
Mas não encontro nas lembranças daqueles tempos pistas
Que digam minimamente se eu era por lá um portador de alegria

Porém, contudo, todavia ao olhar para as suas imagens, Lulu
Imagens que recebo com a avidez de alguém que devora a ambrosia
Pela primeira vez, fico a vibrar com as fibras do meu coração
É muita emoção advinda da insondável e incontrolável paixão

Que gingas e caras são essas, Lulu?
Com isso você me faz pensar sem hesitar
De que na verdade mais verdadeira
 Você na minha a sua cara se insinua e sabe muito bem o que me diz:
Você, vovô, lá nos seus três anos, não duvide,
Você, vovô Barba, também era assim muito feliz.



sexta-feira, 8 de julho de 2011

TENTA TIRAR

Tenta Tirar
A gente tenta tirar de letra
De letra tentam tirar a gente
Da letra tiram a gente
E a gente tenta tirar de letra

Tenta até pentear careca
Namorar macaco de circo
Para fugir com o palhaço
Para rir depois com o mico

Tira de letra o cano do namorado
Tenta tirar também o pé da armadilha
A gente só volta pra gente todo engomado
Quando se livra de gente de quadrilha

A gente tenta tirar de letra com maestria de muita arte
Quando os apuros tentam que tentam nossa vida agora
 Nessa hora gente tenta ser mais do que se é gente/urgente
A gente tenta tirar de letra o que era pra se jogar fora

terça-feira, 5 de julho de 2011

COMANDOS

COMANDOS
Veio rogar
As melhores preces
Advogar
Em causa própria
Em sublimes pareceres

Evocou as ordens universais
Em suas múltiplas desordens
Falou do exagero dos comensais
Em detrimento dos desvalidos

Cada prece sua rogava tumultos
Tantas as coisas eram contrárias
Mulheres santas eram coisas de otárias
Mensageiros bons eram os portadores cultos

Que sabiam ocultar o saber acumulado
Contidos em abrir  demasiado
Com isso mantinham a tradição
Da parte comandar o todo.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Regado e o Regador VII

O Regado e o Regador VII
Por ordem do reiVamos também reinarPor ordem do reiVamos também casar
Por ordem do reiVamos nossas economias gastarPor ordem do reiVamos nos embriagar
Por ordem do reiVamos cantar e dançarPor ordem do reiVamos prevaricar
Por ordem do reiVamos esquecer todo malPor ordem do reiEle só é rei no carnaval

Excluir

domingo, 3 de julho de 2011

O REGADO E O REGADOR II

  
Foge
Mas foge de fugir feito burro louco
Potro picado de cobra
Assombrado a correr de assombração

Foge
Mas foge de fugir de namorado ciumento
De tiro e seu estampido
Foge de se esconder de bala perdida

Foge
Mas foge de fugir de amor fingido
Foge de falso gemido
Foge de botar tampão no ouvido

Foge para as tentações em seu banheiro
Foge dos que censuram a imaginação
Foge das tentações do mestre cozinheiro
Foge da sua própria inculta limitação
Foge do teto foge do chão
Prefira bons sonhos num ortopédico colchão

Nunca fuja das suas próprias promessas
Aquelas que você jamais cumpriu
São promessas apenas essas
Que você se prometeu e a si mesmo mentiu.

sábado, 2 de julho de 2011

O Regado e o Regador I

  O Regado e o Regador I

Alguma Coisa a Mais

Uma coisa é o velho enfiar minhoca ideológica
Na cabeça de um jovem e levá-lo a crimes
Que por conta daquele ideal será reconhecido
Sem nem precisar pensar em desculpas ou perdão

Outra coisa é o velho sentar em suas fatigadas
Nádegas encaroçadas igualmente ao cérebro
E dizer ao jovem que a maturidade leva à contemplação
E deixa o homem barrigudo, sedentário e com constantes
Problemas dentários, urinários e até mesmo comunitários

Cada um pode falar da sua juventude e sentir
Se foi ou não um ser domado pelos costumes
Se foi rebelde sem causa ou vestiu alguma calça e camisa
Dos hippies, dos comunistas ou dos capitalistas

Uma coisa é o velho contar as suas histórias da sua juventude
Outra coisa é o jovem olhar para o velho e não reconhecer nele o seu futuro
Na vida em vigília há algo a tramar contra os nossos desejos
Não são os sonhos sonhados que não visitam a nossa consciência?

sábado, 25 de junho de 2011

Gotinhas para a Lulu III

Gotinhas III

Acordei essa manhã e fui logo logo procurar
 por toda a nossa casa aquela menina
que por aqui vivia à nossa vida apimentar
Não a achei atrás das portas escondida
Procurei então embaixo das camas
e nada da menina estar  por lá também enfiada
Sob as camas não achei nem pijamas sem gente
 ou esquecido qualquer dente de leite
Só então eu me lembrei que a menina que procuro
havia outro dia viajado com seus pais e o irmãozinho para a Bahia
E eu fico aqui-agora só lembrando dela tanto no claro como no escuro
Acho que vou agora telefonar e deixar minha paixão em dia com meu amor
(Enquanto a vovó mais doida e apressada vai voando a jato para Salvador
Com o coração na boca e um presente em cada mão
O vovô não vai porque tem paúra de avião)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Gotinhas II

Gotinha para a Lulu (II)
U U U
AI QUE SAUDADE DA LULU
A A A NADA TUDO BEM
A VOVÓ NILCE SÓ NÃO ANDA DE QUATRO
COMO UM PATO QUEMQUEM
PORQUE QUATRO PATAS
UM PATO NÃO TEM

quinta-feira, 23 de junho de 2011

gotinhas I

gotinhas para a LULU (I)

Tic tic tic tic tic tic e é só de tic o som que ficou
Não tocava mais o despertador pelas minhas manhãs
O tac do tic-tac por conta de uma mola que quebrou
Que de tanto amolar acho que se chateou de si mesma
E parou de o tac tactar
Hoje ao acordar joguei o chato do tic que estava a tictar
 Pela janela do meu quarto pra lá fora ele se espatifar
A janela estava com a vidraça fechada
E na batida o tic-tac voltou a tic-tactar
Minha nossa! Ele voltou para novamente minha vida chatear
Com seu tic-tac tic-tac tic-tac tic-tac
Não sei até quando vou suportar