Para começar se começa com o máximo dos vigores
De músculos treinados com fé no pé no pó no barro
Ali qualquer cantiga resmungada serve para animar o fazer
Muitas coisas ainda não chegaram por lá - além das antenas -
Lá o de sempre está a acontecer como o nascer do sol,
Noites estreladas após um poente que sugere mistérios acumulados
Olhar é o bastante
As crianças brincam como em qualquer lugar e isto diz tudo de tudo
Para quem não tem tempo para coçar qualquer coceira
Ainda podemos ver naquela natureza que vai se diluindo
E dando vez ao cimento e ferro que se pregam em nova memória
Algumas sombras de vôos que migram para o mais não ali
Muitos desacreditam de qualquer esperança
Esperança
Essa coisa fútil inventada pela vadiagem dos que poetam
Na contramão dos que se maldizem pela vida que obram inutilmente
Há um abismo de melancolia entre a esperança do melhor em ser
E a liberdade de se viver o pleno do ser
Estamos fritos – dizia uma minha tia - quando não mais nos lembramos
Do último sonho do nosso amanhecer em cada dia.
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