quinta-feira, 31 de março de 2011

"Virgem Santa..."

“Virgem Santa Que a Fome Era Tanta lá No Meu Ceará...”

Para se entreter com as manias sem rédeas do insondável
O meu amigo se punha a lembrar do sondável
Que era aquele ronco na barriga que denuncia carência alimentar
Deve ser muito ar por dentro dos umbigos sem contemplação de luar
Ou qualquer outro fenômeno estelar que esteja a acontecer no perceber
Quem haveria de dizer e prever que um dia o seu bucho estaria recheado
Do bom e do melhor feijão com arroz e baita bife com batatas?!
Pois que a fome do miserável não deixa nenhuma saudade
Pois que a gente só se lembra dela na hora que alguém vem pedir
Pra gente um resto de comida que talvez a nossa gula não tenha dado conta
Esse amigo se põe a dizer que quem oferece a comida que está a comer
É porque ele já foi incitado nessas artes e já passou e sabe das coisas
Dessas fomes derradeiras e de quem as sente
Fome que rende até as mais hábeis mulheres rendeiras e suas raras brincadeiras
A ficarem numa rendição delas não enxergarem mais qualquer contorno em bordado
De bicho de pé no chão ou a lindeza de qualquer animal alado
Para se entender com as manias sem direção fixa do insondável
É preciso que só pão e água seja um banquete. (Epicuro)

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