Fiquei pensando nos olhares dos admirados que se perderam
No tempo e na história e os mil retoques nos objetos
Que se perpetuaram ante os olhos de hoje
Nos olhares, penso agora, que contemplaram o sublime e o belo
No momento e no tempo em que o cinzel dera seus últimos toques
Penso nas negativas e nas afirmações das tantas recepções
Penso na aceitação ou no repúdio àquela figura do artista-artesão
Que era admirado pela feitura do criar do que há de mais bruto do material
Agora, acabo por me engasgar nalguma vã retórica
E na forma disforme de cores que misturadas numa tela qualquer
Dão um sentido belo ao que insiste em se dizer decorativo-contemplativo
Fico doido e descabido de poder perceber e poder também tentar
Divertir-me com cores, objetos quaisquer e materiais refugados
Que só se destinam ao lixo, sem história, sem tempo, sem nem mesmo
O nosso desprezo por menor que seja.
Nenhum comentário:
Postar um comentário