Quando ficamos de bobeira embaixo de mangueira
A esperar manga madura cair em nossas mãos
Enquanto ainda pensamos nas nossas asneiras
Devaneios diurnos que nos fazem rir e irar
De tanto assim viver ao saber do sabor e sua peculiar usina
Nas tantas tardes que avançaram pelo inevitável luar
Pensamos que devaneamos por automatismo da obrigação
Pensamos que somos feitos de múltiplas idéias
E que de nós mesmos só carregamos o couro curtido
Que forma nossa casca dura aparente e que só por isso mesmo nos desmente
No instante em que caímos em vigilância despertada pela serena lucidez
Não é de nos entristecer e magoar essa sina que badala ácida
Por dentro da cabeça como o badalo de um torturante sino rachado
Na noite em que o mais suave dos sonhos é engolfado em sua ingenuidade
Pelo ardiloso e derradeiro delírio?
Vão jogar todos os tipos de petecas, desavisados e impacientes seres das primeiras luzes
Vai você também brincar de boneca antes que venham as cobranças da juventude
Dívidas que jamais serão pagas porque só foram inventadas para mais esvaziar bobos
Não deixas, meu bem, a maldosa da “sua cuca encucada na Tijuca” estragar
O seu formidável, notável e amável apetite de brincar no viver
Mas, silêncio! Atente para o detalhe dessa inscrição num antigo violão:
“Há uma voz aveludada abafada vinda de uma caixa de fósforos
Deixada numa mesa de canto de um bar que sobrevive das madrugadas”.
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