Sem Beiras
Para que quero guardar na memória todas as estrelas
Que vi refletidas nas águas saudosas das minhas lágrimas
Para que quero agora multiplicar por mil todos os desejos
Não realizados e não compartilhar essa solidão perversa
Recheada de remorsos?
Para que quero a aconchegante maciez de teu corpo
Se os nossos desejos estão no centro dos mármores esculpidos
Só na imaginação de um artista que se consagrou sem sair do anonimato?
Para que vou agora ouvir suas súplicas de amores acumulados
Que vêm das profundezas sem beiras a pegar nos meus calcanhares
A fritar ovos ou chutá-los até me desmaiar
A despertar em mim o incômodo desejo de nunca mais amar
Para quê e por que ainda hei de querer você?
Querer você nas noites dos sonhos em que me entrego
Às fantasias mais sublimes que me fazem esquecer o covarde
E me enchem de coragem bruta só até a mais um indesejado
Amanhecer
Só porque ainda hei de novamente pensar em você
Como o louco varrido da razão pelos semideuses da paixão?
sem eira nem...
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