quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mergulhos I

     Os planos do planeta provam provações
     As cataratas destroçam lágrimas e desejos
     Há um antes e um depois diante do óbvio
     Aqui e agora e mesmo assim ficamos meio alheios,
     Quase caramelados

     Não respiramos por acaso?
     Não desejamos sem saber algo a todo instante?
     Não esquecemos de colher algumas flores para nossos vasos?
     Não deixamos de enfeitar com luzes o escuro de nós mesmos?

     A esperança não é propriedade de alguém que a define
     Pelas vias de um sofrer que se quer eternizado
     Somos vencedores de alguma coisa no tempo e no espaço
     Por isso muitos de nós não se bastam e rolam no insondável
    
     A procurar atrás das portas e nas frestas das venezianas antigas
     Uma passagem de ar que desoriente o nosso olfato
     E retire de nós as nossas impropriedades mais grosseiras
     E assim procure colaborar para que possamos numa lógica esperança,
     Mínima esperança de aconchego mergulhar no auge da nossa sede.         

terça-feira, 10 de maio de 2011

QUATRO OLHOS

Quatro Olhos
Penso e me pego a concordar com o poeta
Que disse que  erotismo deve ser como arte e paixão
E não como técnica de especialista pseudo-esteta
Que descreve as relações de afeto e amor como na ciência
Se descreve a combustão de qualquer motor
Ou se detém nas composições das especiarias e suas benesses
Gastronômicas que dão seda à pele e estimulam químicas medíveis
Nas horas das alquimias provocadas por dois corpos

Penso que os artefatos das guerras foram concebidos
Nas mesmas artimanhas daqueles que se dizem os entendidos
Das técnicas para o melhor desempenho para um gozar múltiplo
Quando sabemos que o cheiro estimula canções
O som da voz que arrepia os que se amam estimula o que estava
Quieto em sua natureza
Sabemos que os dois olhos dela que olham para os dois olhos dele
Provocam o que nem os deuses das guerras conseguem provocar
Uma revolução nos corpos que definitivamente após essa experiência
Eles já não são os mesmos
Os mesmos já não são eles

DOSE DUPLA

Dose dupla
Hoje quero beber só duas cervejas geladas, não mais
Não tão estupidamente geladas, mas na medida
Quero degustar aquela “cosquinha” na passagem
Pela garganta da cevada, do malte e do álcool
Tudo na maior moderação que nos ensinam os bons pais
Depois, hoje ainda, quero sair com duas mulheres
Não duas mulheres quaisquer de fácil acesso e improviso
Aos seus segredos de musas em seus altares
Quero antes promover processo judicial-espiritual-intelectual
De investigação de saúde de mulher boa integral
Boa nos contornos expostos ao mundo e boa
Nas tiradas de bom humor de quem sabe aturar
O devaneio divinal e principesco que os notívagos almejam alcançar
Quero arrematar o meu hoje que começou no ontem
Antes dos dois sóis acordarem e as duas luas dormirem
Eles e elas que se refletem aos meus dois olhos nos dois
Chafarizes das duas praças conjugadas cortadas por uma rua
De mão dupla pelos caminhantes sempre com mais de duas dúvidas
Quero me mandar do morno leito alheio antes dos dois maridos
Chegarem das casas das duas mulheres que os acolheram mornas
Em seus precários desejos no mais das vezes insatisfeitos
Nessa noite que começou num dia e terminou noutro dia, pois, pois
Depois, quase convencido, vou beber em dois copos a água que batizará
 Meu justo sono
E que dará o devido descanso a este guerreiro que há - um dia
quem sabe - de valer por dois nas suas duplas jornadas
Sempre a se embriagar de duas divindades e suas criações:
cerveja e mulher (com suas consequentes bebedeiras)
Enquanto a invejosa da poesia sempre à nossa vida dupla
Sempre ficará no seu canto a nos espreitar com duplas intenções 
por vezes nobres
no mais das vezes rasteiras.    

segunda-feira, 9 de maio de 2011

CAFÉ DA MANHÃ I

      Sem medo
              Desprovidos até dos cuidados óbvios diante do acaso
              Há no despertar de uma paixão
              Uma lágrima guardada como última lágrima
              De mais uma desilusão
              Que importa?
              Se os amantes se eternizaram no vivido.   
              Flores murchas na lixeira
              Juntamente com o velho e todo quebrado
              Vaso descartado de frágil vidro                   
              Que importa? 

























                
                 




                           









                   Hidros 2



                  A ressaca exige muitas hidrovias
                 Em nossos interiores ressequidos
                 Abundância de água pelos canais
                 Água mineral, torneiral ou chuveiral

                   Fogo de encontro é o caminho
                  Mais curto para as asneiras etílicas
                  Para o envio da consciência culpada
                  À masmorra aonde se juntam as solidões

                   Ali não há velhacos ou ambiciosos
                  Todos estão nivelados pela régua
                  Invisível de um sofrimento inenarrável
                  Cuja aparência não pode se desenhada

                  Se ali habita a loucura que a todos abastece
                  Não deixa de ser ali o momento da limpeza
                  Mais eficaz dos detritos que homens carregam
                  É ali que a alma busca a sua mínima grandeza.























Café da manhã 1

                            Ainda no embalo de um sonho amoroso
                            No torpor de algo agradável e no mistério
                            Do desejo gerado nesse amanhecer distinto
                            De cutucar e coçar a vontade para a continuidade

                            Vontade de prosseguir no mesmo sonho
                            Ao se procurar cochilar-dormir de novo
                            Vontade de recuperar as delícias maliciosas
                            Que ainda se escondem dentro do nosso eu em gozo

                            Nossos eus dos sonhos porque somos lá dentro
                            Duas vontades que se dão bem e se querem...
                            Embora a geradora dessa onda seja apenas o meu querer
                            Que se revelara naquela noite que acabara de ir embora

                            Esse sonho bem sei que não se completa ao ponto de se esgotar
                            Deixa ele a vontade de nas próximas noites sonhar igual
                            Deixa ele a lembrança de que ainda podemos viver tal e qual
                            Na mínima esperança de um novo e muito criativo sonho
                            Desse porte nos alimentar com a simplicidade de um gozo.
                            Deixa esse sonhar vir e fluir os seus enganos que a mim me fazem
                           Generosamente o favor de pela vida me nutrirem  

HIDROS II

    Hidros II

                  A ressaca exige muitas hidrovias
                 Em nossos interiores ressequidos
                 Abundância de água pelos canais
                 Água mineral, torneiral ou chuveiral

                   Fogo de encontro é o caminho
                  Mais curto para as asneiras etílicas
                  Para o envio da consciência culpada
                  À masmorra aonde se juntam as solidões

                   Ali não há velhacos ou ambiciosos
                  Todos estão nivelados pela régua
                  Invisível de um sofrimento inenarrável
                  Cuja aparência não pode se desenhada

                  Se ali habita a loucura que a todos abastece
                  Não deixa de ser ali o momento da limpeza
                  Mais eficaz dos detritos que homens carregam
                  É ali que a alma busca a sua mínima grandeza.

HIDROS I

  Hidros I
  
              Na bacia das almas
              Na ducha revigorante
              Na hidromassagem relaxante
              O mar totalizante
              O rio minha primeira banheira
              Há também um lago em nossa história
              Você e eu nas águas minerais
              Nossas fugas termais
              Há água no coração
              E no sangue que passa por ele no verão
              Apressado
              Um banho de chuva revolve o ânimo então estagnado
              Sair dançando na loucura repentina
              Sem medo
              Desprovidos até dos cuidados óbvios diante do acaso
              Há no despertar de uma paixão
              Uma lágrima guardada como última lágrima
              De mais uma desilusão
              Que importa?
              Se os amantes se eternizaram no vivido.   
              Flores murchas na lixeira
              Juntamente com o velho e todo quebrado
              Vaso descartado de frágil vidro                   
              Que importa? 

domingo, 8 de maio de 2011

SEM MARRAS

Sem Marras
O homem da madrugada da noite passada acorda só para ter a certeza
De que não sonha mais com a amada namorada que desafiava sua esperteza
O homem das madrugadas que vivia em altos êxtases e seus frenéticos sabores
Acomodado agora está a olhar e a velar ali a seu lado adormecida e a sonhar
 Aquela que é hoje a síntese dos seus amores e que domou a sua astúcia

Ele que já podia viver da fama que se espalhara como a mística de uma
Chama sagrada
Ele que agora se pensava e se dizia que era um guerreiro em repouso
Ele que por amar demais a essa mulher agora ao possuí-la tinha medo do tédio
Ele que jamais se entregaria ao viver burguês agora parecia desfrutar mês a mês

Desse “indiscreto charme” que tinha o poder de um vício e com isso anestesiar
Seja que rótulo tivera: o de revolucionário, o de rebelde sem causa, o de aventureiro
O de ode seja qual for a ordem do espírito poético do momento de existência plena
Ele agora não se enxergava mais fazendo caras de marras no espelho pelas manhãs
Caras de marras que teciam as fortes cordas das suas próprias e impróprias amarras

Ele agora parecia sentir como reais os músculos da face relaxarem satisfeitos
Porque seu corpo parecia se dar conta de que o viver do trabalho que extenuava
Se compensava no ato que o fazia se reencontrar com o afeto que nele revivia
Algo que estivera nele escondido, talvez adormecido, quase que de vez perdido