Os planos do planeta provam provações
As cataratas destroçam lágrimas e desejos
Há um antes e um depois diante do óbvio
Aqui e agora e mesmo assim ficamos meio alheios,
Quase caramelados
Não respiramos por acaso?
Não desejamos sem saber algo a todo instante?
Não esquecemos de colher algumas flores para nossos vasos?
Não deixamos de enfeitar com luzes o escuro de nós mesmos?
A esperança não é propriedade de alguém que a define
Pelas vias de um sofrer que se quer eternizado
Somos vencedores de alguma coisa no tempo e no espaço
Por isso muitos de nós não se bastam e rolam no insondável
A procurar atrás das portas e nas frestas das venezianas antigas
Uma passagem de ar que desoriente o nosso olfato
E retire de nós as nossas impropriedades mais grosseiras
E assim procure colaborar para que possamos numa lógica esperança,
Mínima esperança de aconchego mergulhar no auge da nossa sede.