segunda-feira, 11 de abril de 2011

ASAS

Asas
Asas para não azarar o dia que começa
Asas de águia no saber improdutivo da maturidade
Assim exagerado de velho sucumbiu
O poeta
De tanto amar ou de tanto viver tanto?
Se tanto faz
Se sou sempre incapaz
De dar maiores asas ao tanto faz
Tanto fez como tanto fará
No azar mora a sorte que não chegou?
Moro eu no morro dos amores mornos
Que se cansaram das loucas oferendas
Das paixões dos poetas?
Será que resta ainda uma brasinha
Para levar fogo morro acima e atiçar
Desejos que se refugiaram na magia dos sonhos?
E a água de morro abaixo que a tudo busca arrastar e arrefecer insana
Será possível segurar com velhas mãos calejadas de versos sem ganância
Tanta aguaceira real, suas mágoas fantasiadas e mais uma tristeza
Na mínima desilusão de mais uma - a última - mendicância de amor?  

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