Conjecturas Sobre o Amor
Nas alças que sustentam o desejoso e incontrolável
Do desejo que do nada parece surgir em nosso corpo
Nessas alças correm frenéticas por suas nervuras
As luzes que captaram suas energias no oco do espaço
Diante dessa misteriosa combinação de incertas fontes
A buscar esclarecimentos sobre suas diversas origens
Meus pensamentos se deslocam para o jogo dos sonhos
Lá no mesmo lugar sem nome porque indecifrável
Vejo palavras e passo a contar suas letras e a olhar seus desenhos
Como se fora a primeira vez de uma escrita de qualquer criança
Nada mais ainda do que um risco que persegue o modelo ao lado
Apesar de tudo há de haver um nada ainda maior do que o nada imaginável
Um lugar de repouso para qualquer mente, até as mais insanas
Talvez essas as que mais busquem o nada para a própria paz
Penso que em cada um de nós deve habitar um pouco de um ser
Sem qualquer vida e por isso mesmo sem qualquer nós a desatar
Um não ser que está à espera do não ser que antes não se era
Um não ser que está à espera de um não ser que antes não amara.
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