Há Uma Crise Lá Também
As almas no desamparo que se dizem mal amadas
Vacilam diante das almas que se dizem bem amadas
Há para ambas uma região não explorada que causa
Visível desconforto e por vezes tremor por todo o nosso corpo
Suar frio só pode vir de algum lugar mandado pela alma
A percorrer todos os espaços que possam causar espasmos
Que indispõem com a vida leve algo que fazem as almas carregarem
Pesada bagagem de atormentar as ditas faculdades mentais
Beneditas e maleditas ideias que deixam de prosperar
Pelos canais esperançosos dos corpos que se comunicam
Em mãos, abraços, laços que se enlaçam por mais tempo
As almas que se dizem escravas e que não se pensam a si mesmas
O que mais poderia deixar triste o poetar de um jovem
Que ouviu de uma cínica boca de que sua poesia não possuía
A energia do essencial que dá doce e sal a qualquer vida?
Que é o que dá todos os sentidos possíveis à poética e suas ramas?
Seria aquela alma mais soberba que por ser dona de si
Doidamente ensimesmada e por isso mesmo em absoluto desamparo?
Não é na própria entranha de alma que faz a sua própria história
Vive em si sem uma alma por ser nela a morada dela mesma?
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