Veneno e Contra-Veneno
De tanto ouvir falar que o amor era possível
E por tanto tempo ser acuado por vozes
Que diziam: escolha apenas uma e só uma
E após a decisão viva o grande amor da sua vida
De tanto escolher apenas uma e só uma única
E nessa escolha ser visitado pela indecisão
Fui colecionando grandes amores efêmeros
Assim como que se amar fosse coisa de enfermo
De tanto amar por amar e não de ouvir falar
Fui ficando um bruto calejado de amores passados
Não conseguia mais viver no presente o presente
De um amor que se entregava mesmo que de alma e corpo
De tanto deixar para trás os amores assim vividos
De tanto olhar para os casais que se dão ouvidos
Em juras e carinhos que misturam passadopresentefuturo
De tanto cada viagem dessas investigar e me intrigar e não me escutar
Fiquei a ver boiadas, bondes, trens, jatos, foguetes, luares memoráveis,
Vidas do amanhecer, repousos do entardecer, cios, famintos latidos,
Sempre da mesma janela que apenas imagino com meus olhos fechados
No inconsolável desespero daqueles que foram pelo amor de outros,
Invejavelmente, desmentidos.
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