Com algumas palavras e alguns gestos ensaiados
No espelho do banheiro
Minha imagem assim treinada em suas marcações
E expressões corporais convincentes
A voz a dar impostação e um grave aveludado aos sons
Assim convencido de poder interpretar restos de cenas
Assistidas pela vida afora fui comprovar meu talento
Nas esquinas do viver aonde se reúnem os artistas ensandecidos da cidade
Declamei logo de passagem um Bandeira seguido de Drummond
Passei por Boccaccio e Augusto dos Anjos para então pular para Gustavo Teixeira
E depois juntar trechos de textos que vinham à cabeça de momento
Sempre havia um bêbado para ironizar e discordar de algo de alguma fala
De alguma poesia
Um notório bebum foi de assalto “calabocado”(LGACN) por um desses mestres de cerimônias
Que habitam as ruas e exigem comportados ébrios em seus domínios
Falei só por falar “da mulher bonita impregnando a tarde com seu sorriso” (O.P.)
Falei “do encontro com o querido amigo em alguma esquina do planeta! (O.P.)
Falei “para que Maria guardasse com zelo o presente que lhe dera:
Que o guardasse enquanto me quisesse” (G.T,)
Falei “da ânsia de ter e o conseqüente tédio de possuir” (S.)
Falei “de todos os amores que em minha vida brotaram como flores... “ (G.T.)
Falei “que a todas as minhas paixões dei um pobre leito
Porque no deserto do meu peito não existe nada de perpétuo “ (G.T.)
Nessa noite, também tive e vivi “uma longa jornada noite adentro” (?)
E daí?
E daí não conto mais aqui!
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