Coisas I
Se assim podemos chamar de coisas
Coisas perdidas para sempre e fim
Coisas nossas coisas de você coisas de mim
Coisas de cada um com nova versão
A cada novo lembrar de coisas fragmentadas
Fico aqui pensando numa esteira que nos rodeia
Uma esteira em espiral
Invisível
Numa molecagem de leva e traz pedaços de imagens
Como assim fotos rasgadas em muitas partes
Algumas dessas já desgastadas por digitais
Mãos ou beijos dos seus saudosos portadores
A portarem as dores e alegrias das saudades
Que se reinventam num oco qualquer da cabeça
Com reflexos imediatos no fígado e na digestão
A provocar tremores e medos sem explicações
Que coisas são essas que nos coçam primeiro
Para depois nos caçarem no que carregamos em nós
De mais primitivo talvez aqueles sonhos por todos sonhados
Quando se dorme com fome e no qual somos servidos
Com um dos nossos pratos prediletos então por nós sorvidos
Em tal devoção que faz a língua salivar e nos faz com isso
Acordarmos babados não só por essas como também
Por tantas outras palatáveis e mastigáveis
coisas?
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