Nuvens Coloridas do Entardecer
Chegou a bendita da "benedita" hora de escrever
Um poeminha para ficar de bem comigo mesmo
Comecei por desprezar todos os olhares suspeitos
Comecei a pensar no penar do meu próprio restolho
As minhas mais recentes pegadas, meus passos inconfundíveis
Denunciavam que eu caminhara de quase não pisar no chão
Foi por essas e tantas outras que hoje pensei em arrancar do meu ser
Todas as extravagâncias que acumulei como um único e precioso tesouro
Por esses passos sabia eu que possuía todo esse incalculável ter
Como alguém que só acumulou na vida muitas vezes o próprio peso em ouro
Por isso é que hoje abri descuidado, despretensioso as asas do imaginário
Por vezes a sentir-me saudável por achar saber navegar na imaginação
Outras seguidas vezes atordoado e febril delirei em paixão
Subjugado em tramóia amável
Outras vezes fiquei sem qualquer emoção ou a duvidar delas
Num momento querido fui déspota esclarecido
Noutro um reles ser de estofo vil, recusado e inestimável
Por todas essas ontem como hoje passei
Por assim passar
Assim pensei:
Hoje imaginei que se os poetas pudessem virar pássaros
Seriam pássaros misteriosos e seguramente diferentes
Pássaros de todos os acalantos, afetos e carinhos
Fingir-se-iam de seres pouco visíveis e quase ausentes
Seriam aves que fariam nas nuvens coloridas do entardecer
Seus convescotes, seus filhotes, seu ser e seus ninhos.
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