Sal no açúcar
Que ilusão é essa que tem
o nome de esperança
Que nos confunde e nos faz
imaginar a chuva no zinco
Com os passos de um psicopata que
Não sabemos e nunca saberemos como enfrentar?
Que alucinação é essa que tem
o nome de esperança
Na qual imaginamos e chegamos
Ao ponto de ver o porto da paz,
a igualdade toleravelmente desigual,
a inclusão dos excluídos concluída,
A poesia cultivada em todos os espíritos?
Que poetar é esse que tem
o cinismo e a ironia de andar
sem compromisso algum
por um jardim imaginário, tão nostálgico
Enquanto muitos companheiros se suicidam sem saber
na mais irreversível desesperança?
(Sem mais acesso ao refúgio
da criança
Que se trazia na açucarada lembrança?)
É - meu amigo, minha amiga, convenhamos:
o sal no açúcar
o salseiro no açucareiro
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