Ta Bom, Belo?!
Por força de um pensamento intermitente
Desses que ficam rodando na cabeça da gente
Pensei que poderia de alguma forma bem pensante
Chegar a algum esclarecimento muito verdadeiro de tão importante
Primeiro procurei respirar fundo e profundamente
Respirar tanto que se fizesse oxigênio o bastante
Para com isso chegar a todas as minhas entranhas
Em rumo de que nenhuma parte de meu corpo se fizesse de estranha
Fui tecendo sorrateiro em meu silencio que nem aranha
Uma teia de muitas e derradeiras lembranças e suas façanhas
Foi daí então que percebi que toda vez em que estava
A pensar nos conhecidos vivos e sua peripécias
Logo e estranhamente começava a contar os meus mortos Que nunca passavam de dez
Embora eles fossem -na verdade - mais de centena em sua eternidade
Creio até que se eu chegasse por lá candidato tava eleito
Pelo menos para vereador haveria de ganhar
Nunca deputado muito menos prefeito de bom gerenciar
Lá não há voto secreto, tudo é transparente, voto aberto
Eu queria tanto falar de coisas de profundo pensar
Mas aqui me enredei pela política do sem querer
Pois não me acabo preso nas teias que eu mesmo trancei?
Com as letras do teu nome
Debulhadas ao vento
A tudo batizo
Abaixo e acima
Do firmamento
Outros amigos colaram aos muitos
Afetos os nomes dos seus amores
Eu apenas nomeio o todo que se camufla de verdadeiro
Para zombar das minhas mentiras
Que se afogaram em sonhos sorrateiros
Ali no bosque em que nos despedimos
Os últimos cantores das matas também se foram
Cada qual a desistir do seu viver
Para embarcar em outro sonho
Que repele o desistir
Nostalgias saigltasoN
Serão eu
Zerão eu
Era eu
Erreu
Aqui se esconde
O conde do visual
Estrábico
Bica o corvo o corno do touro morto
As águas que ferveram beberam fogo
Meus amores atrapalharam meus fervores
Nunca mais vi ao vivo uma flor que jorra mel
Mandaram-me cavar um grande e profundo buraco
Buraco que me daria pela vida toda sorte de sorte
Nele acabei por me enterrar sem passe de consorte
Zerão eu
Serão vocês as memórias dos meus eus
Eu era
Euerreu
Frase frouxa
Afora o afrouxa
Dá cara de trouxa
Enxaqueca rocha
Roxa a cabeça estala
Arca de se pensar segurar bengala
Abre ala abre ala abre ala
Abram alas abram alas abram alas
A chave é sempre pensar em cinco por cento
Cinco por cento hão de responder
Corresponder não se sabe
Ao fechamento de idéias e outros acasos
Não pode haver mesmo discernimento no odor da rosa
As melancolias atrapalham o olfato
Enquanto os olhos se entristecem de salgar em choro a face
Bem sabemos que sempre algo se oculta em qualquer trama
Que envolva desejo incontrolável
Fica-se tenso
E daí se não sabemos mais aonde se vai dar só afeto
Ou comer de se devorar muito imprudentemente voraz?
Nesse meu ofício de viver meio no real
Meio que no meio da ficção entre paredes cristalizadas, geladas
Sinto-me quase que sempre isolado e desolado de um tempo presente
Resquícios de coisas que me espetam e apertam nesse de vez em quando da vida
O coração que parece se dividir em dois dentro do meu peito tão acanhado
De tanto apanhar as friagens das insônias das madrugadas sem poesia
Não mais de saudade recuo pelas penumbras da memória,
Mas da mais pura luta entre bem bom e o bem mal visito desejos póstumos
Já andei sinalizando tantas vezes que por ser rei mundano
Que tem por poleiro – onde cacareja cevada cerveja – o seu soberano trono
Isolo-me em vontades que se refletem tortuosas em meus sonhos eróticos
Quando estou quase a gritar, a gritar de berrar de quase surtar em lágrimas
Olho nos olhos de uma imagem de mulher que crio nesse mesmo mínimo instante
E me encaso com essa fêmina num sonho acordado em que me julgam o doido da vez
Consigo viver cada esse momento desencantado da carne e suas nervuras
Só para amaciar-me patético no encantado vôo dos tresloucados
Que não se culpam de crimes, firulas ou morbidez
E vivem num dia o que outros vivem num mês.
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