terça-feira, 5 de abril de 2011

ESTAMPAS DE LÍRIOS

Estampas de Lírios
Contempla o ilógico do sarro e joga com ele o jogo do gozo
Aquele que você inventa na hora de jogar com o desejo
Joga as suas maldições em cima das costas dos chatos
Daqueles que não entendem um poeta a curtir o Rio ou Paris
Como se essas cidades fossem um simples pasto qualquer de repasto
Curtição com bons vinhos a brindarem e blindarem a beleza da mulher
Acompanhante sensível às artes que dá preferência ao champanhe
E um cigarro alucinógeno para o embate horizontal dos corpos
Nos lençóis com desenhos de lírios já cultivados no linho cheiroso
Que ajudam a levar os pensamentos em louvores e delírios
Nos exageros dos naufrágios envoltos nas sofreguidões dos desejos
A fluírem em espasmos que se multiplicam pela noite escandalosa
Nas músicas dos sussurros naquelas varreduras das tensões daqueles
 Que se libertaram das amarras dos desprazeres dos eternos regradores
Sentei-me sobre delicado tecido que mais parecia um ramalhete de lírios
No espelho vi que as paredes estavam cobertas de lírios
Meus olhos estavam impregnados de lírios
Sobraram aquelas mínimas preguiças que dão sonolência
E nos levam às displicências das coisas reais e salutares
É como se a vida se passasse na lentidão de um caminhar em câmara lenta
Para que pudéssemos nos nutrir de novos e tensos reais amores
E seus acompanhantes invisíveis: os novos e tensos sonhares.

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