“Omissão não é Remissão” (W.S.)
Tem dia em que acordamos com a mesma luz solidária
De uma manhã soberba de nos fazer querer algo singelo
Como o ato primário de amar seja lá o que for a nossa volta
Entendemos esse querer como um comando de dentro do nosso ser
Assim é que pela vida afora nesse sempre de vez em quando
Acumulamos o vital e necessário gás para tocarmos os demais dias e dias
Assim podemos suportar aquilo que chamaram de fardo adverso
Assim podemos contar com esses dias que nos demos para amar
Tem dias em que ao acordar nos perguntamos se crescemos
Ou se somos a criança que há pouco nós sonhamos a brincar com sua meninice
E temos a seguir sensação de que carregamos em nós o poder único da infância
A nossa realidade sendo construída com todas as fantasias da babá irrealidade
Não é pouco, talvez, curtirmos esses momentos como sinais vitais de nossas vidas
Podemos com isso dar corda aos contos que inventamos para nos consolar
Com um pouco de alegria na vida que nos espreita com seus olhos de predadora
Não são nossos desejos mais bobos e nossos sonhos mais infantis
Que nos fazem buscar algo inédito nessa vida fútil, todavia, redentora?
Alguma coisa que controla o louco que espiona através de milhares
De janelas dos nossos sensíveis e independentes poros?
Não há dias em ao acordar somos assim mesmo:
Papo para o ar a querer só sonhar e cantar deitados no divã do tempo?
Não é isso um preparo para a ida para o sempre de onde viemos
Sem escolhas, quaisquer vontades, viajados que fomos numa nuvem que teve
Por instantes um desenho que retratara a cara da mais insolente das sortes?
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