Higiênico Papel
Ele fingia de viver
Quanto mais fingia na sua poesia
Fingia que era por vezes um sentimental
Noutras tantas ocasiões se fazia de frio
Controlador do que muitos chamam de real
Essa habilidade de dissimular e fingir prantos
Ou provocar risos com palhaçadas inventadas ao acaso
Apenas camuflavam suas dores acumuladas lá de um tempo
Que não era só seu e por que não de toda a sua espécie?!
Ele sabia dos vilões que visitavam os seus pensamentos
E que eles interferiam em seus sonhos como intrusos
Que desprezam a paz dos outros e sangram com palavras
De aço já carcomido as nossas possibilidades de esperança e desejos amáveis
Pra duelar com essa lâmina enferrujada que corta do pé à cabeça a nossa alma
Precisamos revisar todos os nossos cantos camuflados e encantos tolos
Assim como a exemplar faxineira que se especializou em sua arte
Depois que olhou por uma possante lente a causa da morte morrida
De uma contaminada cobaia ratazana picada por uma treinada serpente
Ah! Agora posso me fingir de sombraposso sim me fingir de mim ausente
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