sexta-feira, 8 de abril de 2011

PARA ARREMATAR A ÚLTIMA HORA DE UMA TERÇA-FEIRA

Para arrematar a última hora de uma terça-feira

Conjecturas sobre o amor e o desespero em aulas após aulas
Deveriam ser aplicadas nos jardins das nossas várias infâncias
Para que convivêssemos naturalmente com as armadilhas das paixões
Com as múltiplas certas e tortas opiniões sobre o amor e o ódio
Poderíamos aprender a discernir as picuinhas sutis dos cantos sabiás
 Talvez educássemos nossos ouvidos para a plenitude da musicalidade
Talvez conseguíssemos dar conta de capturar sons primordiais
Para que educados fossemos só de cantar e não mais falar por parlar
Talvez com a grande surdez que nos espera em breve futuro
Possamos dessa surda e inevitável catástrofe
Recriarmos novas formas de se ouvir
Um ouvido para as misérias humanas e seus desesperos
Outro ouvido para as conquistas musicais que lavaram nossas mentes
E as levaram para o encontro dos sons que “embriagam sem tréguas”. (CB)   

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